Hoje aprendi uma lição. Não devemos
depositar toda a nossa confiança em quem não conhecemos. Infelizmente, não se
fazem amigos para a vida agora, essa é a verdade. As bases das amizades estão
criadas, acreditemos ou não todas as pessoas aparentam ter já um grupo
definido, um porto de abrigo.
Eu tenho o meu porto. É bastante pequeno
em comprimento, mas grande em conteúdo. E também não o construi este ano. Este ano
de faculdade, cujo fim se avezinha, aprendi isto, aprendi que existem pessoas
que são fracas de interior e pessoas que nunca se dão a conhecer totalmente.
Acho que o meu maior problema é
ser demasiado transparente e deixar que tudo o que se passa comigo transpareça.
Sou demasiado ingénua para mentir bem, da mesma forma que não consigo lidar bem
com quebras de confiança.
Sinto-me estupida quando dou
segundas oportunidades mal dadas, mais chateada ainda por saber que mereço mais
e melhor. Sigo muito o trilho do “não faças aos outros o que não queres que te
façam a ti”, pena que outros não.
Enfim, acho que tenho de deixar
de espelhar tudo, começar a interiorizar mais e a exteriorizar menos. Alguns
são pouco conscientes, outros não se querem dar, eu apenas tenho de parar de
exteriorizar sentimentos, seja de que forma for.
Ouço-vos falar, perdida no meu silêncio, assombrada pelos
meus pensamentos. É particularmente normal este cenário, deixo-me ser figurante
numa história que não é minha, e deixo-a acontecer diante dos meus olhos.
Sinceramente? Acabo por não estar totalmente focada no que dizem, vou apanhando
as ideias soltas e as palavras perdidas do guião que vão construindo através da
vossa acesa conversa. Dou por vocês a chegar a um assunto que, inocentemente ou
não, classificam como aprendizagem da vida. Toda a bagagem que dizem ir
juntando e carregar nos ombros desde que nasceram… aquela estupida ingenuidade
vossa de achar que um número significa sabedoria. Patético.
Hoje fiquei particularmente interessada na vossa ideia de
amor e necessidade. Disparavam ideias de forma solene sobre o que é amar e o
que é apenas necessitar. Deixei-me estar coberta de inocência, confesso que é
um excelente manto da invisibilidade. «Ela não o ama, sente alívio quando ele
não está, diga-se que até feliz, mas a ideia de o perder fá-la perder o rumo,
entra num pranto inexplicável».
Espingardeei após algumas frases deste género, uma frase quebra-gelo: “Olhem
para vocês, cheios de cenas há psicólogos…”
Mas onde é que eu já vi isto? Ou senti? Tem graça, não tenho
40 anos.
Deixa-me especular. Realmente falar contra uma parede é
óptimo. Sinto que as palavras fizeram ricochete e voltaram a bater-me na face
ruborizada. De nós dois, se bem me conheço, a mim e á espécie, apenas eu fiquei
de cabeça cheia de macacos do sótão.
Uma das grandes diferenças entre homens e mulheres parte do princípio
que nós damos importância a todos os pequenos detalhes e pormenores e vocês colocam
as mãos nos bolsos, encolhem os ombros continuam a vossa vida. Não existe a
palavra culpa ou desculpa no vosso dicionário, não se dão ao trabalho de sentir
empatia, são incapazes de ler nas entrelinhas.
Cabe-me no pensamento que isso é uma virtude nossa e um
defeito vosso. Claramente um defeito teu.
Comigo acontece diferente, não te esqueço na companhia de
outrem, não deixo de te ter em conta por estar mais ou menos ocupada. Nós mulheres,
acredito que não andamos com o baralho de cartas no bolso. Não existe vontade
de descartar, a não ser quando vocês optam por já não ser um trunfo na nossa
mão. Compreendes? Não compreendes. Gosto de escrever e sentir através de metáforas,
maldita mente, maldita escrita. E maldito sejas tu.
Ao menos descarrego no teclado e não em ti, de certa forma
sou capaz de admitir que poupei cerca de duas mensagens que seriam enviadas em
vão, tal a tua falta de interesse e capacidade de interpretação. Sinceramente
os telemóveis são uma merda que não devia existir, assim como redes sociais e
internet. São mais facilmente usados para afastar pessoas do que para as
aproximar.
Acho que por hoje já senti a pele arrepiada vezes de mais, e
já tive as lágrimas prestes a jorrar por um mês inteiro, já me chega.
Tchauzinho.
Há dias que não são para ser passados como o de hoje foi.
Demasiado stressante, demasiado “sem-chão”. Tem dias em que o que é preciso é
apoio, um dar a mão e não largar por um breve momento, ou durante um tempo sem
fim previsto.
Irrita-me que a esta hora, após todos os pontapés, continues
ausente. Não entendo até que ponto tu estás a meu lado e me compreendes, até
que ponto posso contar contigo. É pena começar a pensar assim a esta altura do
campeonato…
Ganhei coragem para dizer-te o que me incomoda, mas acho que
tu apenas ouves e prossegues. Hoje acho que nem ouviste, mas também o que muda?
Ouvindo ou não continuas na mesma. Ausente.
Precisei e não estiveste. O resto da noite será igual, quando estás acompanhado é sempre a mesma coisa, descartas-me.
Estou cansada de falhar, de cair e não me conseguir
levantar, de promessas ditas e nunca cumpridas, de sonhos por realizar. Estou cansada de não ter o que, por vezes, sei que preciso. Vivo num mundo onde as coisas não são feitas à minha medida,
sinceramente, já não sei o que é viver a vida. Acordo sábado sempre com a mesma disposição, obrigo-me a
levantar, embora me diga que não. Se soubesse como dia iria ser passado, tinha
ficado deitada, não enfrentava mais uma batalha inacabada. Afinal, o que é que ando eu a fazer?
O trabalho não passa de mais nada que não uma acção,
acabou-se a alegria, não existe mais paixão. Acho que no fim, ando demasiado frustrada. Preciso de férias, de dormir, de não fazer nada.
Tantas noites passadas a teu lado, segura nos teus braços, após uma só reviravolta. Amo-te mais que
tudo. Quase 17 meses meu lindo. Agora sim começamos a viver, sabes que sim. Amo-te, já o disse e volto a dizer.
Este mundo foi construido para dois, nós dois. E se tropeçar me fará cair nos teus braços, deixa-me tropeçar mil vezes, acordar com aquele mau feitio que me tiras com um beijo e deixar que me devolvas o sorriso que não me foge enquanto passo minutos sem fim a apreciar-te.
Será sempre sim.
Estou com uma neura desgraçada. Daquelas mesmo que só estão
bem fechadas no sótão, mas embirram em invadir-me. Estou mesmo chateada e
graças a isso vou comer o resto da tarde, pois é sempre bom afogar as mágoas, e
quem sabe este cabelo num monte de comida deliciosa.
Espero que estejam de mau humor também.












